Associação de Agências de Viagens e Turismo de Cabo Verde
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“Sejam ousado e criativos”… esse é o conselho do novo president da Associação de Agências de Viagens e Turismo de Cabo Verde (AAVT-CV), Mario Sanches, para os jovens que querem deixar sua marca na indústria de viagens local.

Amadeus falou com o Sr. Sanches para conhecer a sua visão da indústria de viagens em Cabo Verde:

Foi uma grande honra para a Amadeus ser premiada pela Associação de Agentes de Viagens de Cabo Verde. O senhor poderia nos contar um pouco mais sobre o histórico desses prêmios? O que está sendo expresso através deste prêmio?

As agências de viagens e turismo tem relações de proximidade com diferentes entidades, companhias aéreas, Governo, através da Direçao geral do turismo e transportes, agencias de regulação,  gds, hoteleiros, e.t.c. A AVTCV comemorou este ano os seus 18 anos, digamos que estas instituições ajudaram nos a crescer até a maioridade, pelo que a direção cessante entendeu que era necessário assinalar esta data marcante distinguindo estas entidades, sendo uma delas a Amadeus. De realçar que esta medida foi tomada pela anterior gestão.

Como o senhor vê a colaboração com a Amadeus evoluir no futuro?

A amadeus é um importante parceiro das agências de viagens, pelo que vemos com bons olhos o estreitamento de relações, ultrapassando as fronteiras de diálogo e parcerias para chegar a cumplicidade.

A nova diretoria da Associação de Agências de Viagens e Turismo de Cabo Verde (AAVT), liderada pelo senhor (Mário Sanches), pretende transformar agências de viagens em agências de turismo, informou a imprensa. Poderia nos contar um pouco mais sobre por que isso é importante?

O mercado das viagens é sempre altamente competitivo e, ao mesmo tempo, muito volátil no sentido de que depende de muitos fatores e, quase que na maioria, externos aos esforços dos próprios países destinos. Este é um primeiro ponto que torna particularmente importante, a aposta das agências de viagens na diversificação e ampliação das suas ofertas.

Por outro lado, as agências de viagens são, pela natureza da sua atividade, “portas de entrada”, ou melhor dizendo, promotores e vendedores do destino, neste caso Cabo Verde. Então, porque não assumir essa condição e acrescentar a valência do turismo na sua carteira de atividades e daí, não só ampliar a sua margem de lucro como, também, assumirem a sua condição de promotores do destino turístico nacional? Daí ser nossa intenção apoiar os nossos associados nesta aposta que só será possível com a aposta, igualmente, na melhoria da qualidade dos nossos serviços e das nossas capacidades. É nessa linha que a formação de nossos quadros é igualmente uma bandeira e compromisso firme da nossa gestão.

Como o senhor sente que a AAVT está fazendo a diferença na indústria de viagens em Cabo Verde?

No que diz respeito a essa gestão, é claro que ainda estamos apenas no início da nossa caminhada, ainda mais num contexto difícil e inusitado, no sentido que poucas vezes ou nunca enfrentamos tantas dificuldades como agora, em plena época alta, mais uma vez, como afirmara antes, por fatores alheios ao nosso controle e sobejamente conhecidos do grande público, ligados às dificuldades de momento com os voos domésticos pela única companhia neste mercado e com os voos internacionais ligados à nossa companhia de bandeira e que têm, ambos, repercussões nos custos das passagens. Mas, respondendo, mais concretamente, à sua pergunta, o nosso primeiro contributo será, como temos tentado fazer, atuar junto às autoridades e demais autores no mercado na busca dos diálogos e consensos que permitam encontrar soluções e respostas adequadas aos desafios de momento.

Outro desafio, já fizemos referência, é essa ampliação das competências e melhoria da qualidade das agencias de viagens, transformando-as em agências de turismo. Como, também, já o dissemos, estamos só no início dessa caminhada, mas confiantes e esperançosos em relação ao futuro.

Igualmente o aumento do nosso leque de associados e consequente densificação e consolidação maior da AAVTCV é outro objetivo da atual gestão. O balanço, fá-lo-emos no final do nosso mandato, seguros de que será positivo. Devemo-lo aos nossos associados que acreditaram em nós para essa missão.

Porém, é justo dizer que a nossa gestão herdou uma Associação credível e consolidada pelos seus já 18 anos de história e uma Associação que tem dado o seu contributo para o fortalecimento do mercado das viagens em Cabo Verde e que importa reforçar e melhorar lá onde for possível, pois que a consolidação deste como qualquer outro mercado será sempre um processo contínuo.

Quais são as novas tendências e desenvolvimentos mais estimulantes que podemos esperar no futuro na indústria de viagens em Cabo Verde?

Uma aposta que deverá haver, até para a necessária conversão das nossas agências em agencias de turismo, será o incremento do turismo interno e até para a construção de pacotes para que os turistas estrangeiros possam conhecer outros destinos adentro o nosso arquipélago. Temos de poder fazer do «Dez Ilhas, dez destinos» mais do que um slogan, e sim, dez destinos, pois que num contexto com os transportes interilhas aéreas e marítimas mais desenvolvidas poderemos também incluir Santa Luzia no leque de opções. Afinal, quantas pessoas têm a oportunidade de visitar uma ilha desabitada nas suas vidas?

Mas, outra vez, refiro-me a algo que não depende só das agências, pois que a melhoria dos serviços, modernização e aumento das ligações, assim como o controle ou redução de custos em moldes competitivos, pouco ou nada dependerão de nós. Mas, em suma, teremos de convergir para a diversificação das ofertas turísticas. Isso, incluindo na criação ou potencialização de rotas e eventos culturais e outros capazes de se constituir em produtos turísticos.

A aposta que deverá haver dos nossos associados, também, na diversificação das parcerias externas bem como na identificação de novos destinos de dentro para fora, pois que os cabo-verdianos também viajam para fora. Muito se tem falado também no incremento do número de turistas externos na fronteira de um milhão de turistas, para chegarmos lá teremos de poder transformar o destino Cabo Verde em muito mais de sol e praia. Diversificação e qualidade terão de ser as palavras de ordem.

Um conselho importante para os jovens que querem deixar sua marca na indústria de viagens local?

Sejam ousados e criativos, até porque estes dois traços têm de caminhar juntos e apostem na qualidade do serviço e da oferta como o principal cartão de visita para os clientes. Não sei se haverá mais por dizer, pois que não há uma formula mágica para a gestão em que área for. talvez acrescentaria como outros aspetos importantes que, podem parecer antagónicos aos dois que já fiz referencia, mas não. Falo de pragmatismo e conhecimento da realidade, porque sem a necessária adequação à realidade circundante nenhuma medida poderá ser muito eficaz. Ousar sim, mas com o sentido da realidade do ambiente e do mercado.

Quais são os principais desafios da indústria de viagens em Cabo Verde hoje?

Acredito que esteja a referir às agências de viagens, sobre isso já o respondi na questão «Como o senhor sente que a AAVT está fazendo a diferença na indústria de viagens em Cabo Verde?»

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